Por certo, vivenciamos uma crise de representação democrática ante revolta silenciosa e sufocada por grande parte da
população. Mas, que se manifesta em cultura de periferias, e se percebem reféns de quadro político degenerado e
corrompido, em cena contraditória de dominação consentida.
O significado de “sociedade”, apenas formal, acaba por prejudicar-se mesmo na essência do próprio conceito de corpo
social de interesses comuns. Tal é o divórcio de vontades entre “representantes e representados”, que leva à perda da
Fé na Democracia, a descrença nas instituições e no espírito público.
Contudo, o efeito deliberado às escondidas, de maior gravidade – o mais ruinoso de todos – é o menosprezo induzido
ao real valor da Cultura Política, que acaba por impregnar a alma da população, pelo cansaço. É bem comum observar
pessoas que “não querem saber de política”.
A miopia nessa leitura estreita é o que legitima um consentimento tácito à dominação pelas oligarquias, que usurpam
mandatos em benefício próprio, e se impõem sobre a vontade soberana do Povo trabalhador. E obriga a população a jugo
continuado, de trabalho ininterrupto durante seis meses por ano, apenas para pagar impostos a governo de plantão,
no imenso desperdício de recursos para manter um estado hipertrofiado, corrompido e ineficiente.
Essa a razão da verdadeira crise política endêmica,no País, pela ausência de representação democrática e republicana
efetivas, que repercutem, de maneira nefasta, por outras esferas de poder, salvo em raras exceções.
Em vez de reagir com motivação originária e legítima – afinal se trata de gerir bem o nosso dinheiro – grande parte da
população simplesmente já se entregou à dominação de oligarquias políticas, em neovassalagem consentida !
Faz de conta que não vê, não quer ouvir falar, olha p’ro outro lado, prefere falar de futebol e da copa do mundo, e de
outras amenidades alienantes. Certamente, muitos já puderam observar situações assim.
No entanto, o maior dano se dá, em especial, no estigma ruinoso projetado sobre o valor da Cultura Política, afetando
corações e mentes, a própria índole moral e ética da sociedade civil. É preciso revigorar o espírito essencial da
atividade política, na gestão pública do dinheiro subtraído ao suor do Povo trabalhador.
A Cultura em geral é processo resultante de interações e significações, percebidas pelo ser humano, nas relações
mútuas e indissociáveis com o ambiente que o cerca. É justamente essa mistura de percepções e significados que
alimenta e desenvolve o campo cultural. O mesmo se dá em relação ao ambiente político e à Cultura Política !
Se o ambiente social não interage mais de perto com o mundo político, para melhor perceber seus movimentos, motivações
e inter-relações do regime dominante, e não vê maior significado na administração dos negócios públicos, a Cultura
Política não poderá prosperar.
E isso é tudo o que oligarquias partidárias e corporativas dominantes, divorciadas e sem compromisso com o interesse
público, mais poderiam desejar. É assim que grupos de corrompido patrimonialismo corporativo se apropriam do aparelho
de estado, para dominarem mais facilmente o cenário político, os negócios e orçamentos públicos.




