Diagnosticado com “ossos de vidro”, garoto sonha em ser jornalista

Em seu quarto com cortinas de carros estampadas, o pequeno Dheyvisson da Silva Rodrigues, 8 anos, sonha em ser jornalista. Na máquina de escrever braille, ensaia as primeiras palavras, imaginando um futuro de fama na televisão.

Em seu quarto com cortinas de carros estampadas, o pequeno Dheyvisson da Silva Rodrigues, 8 anos, sonha em ser jornalista. Na máquina de escrever braille, ensaia as primeiras palavras, imaginando um futuro de fama na televisão. Aos 3 meses, quando ainda morava em Santa Vitória do Palmar (RS), o garoto de sorriso doce e covinhas teve a cegueira diagnosticada. Apesar do peso da doença, cresceu rodeado de alegria e amor, com o apoio da mãe, Viviane Cabral, 26. Jogar futebol em sua casa no Recanto das Emas tornou-se um dos passatempos favoritos do garoto. ;Sou torcedor do Internacional;, conta. Quando tinha 4 anos, no entanto, mais uma notícia alteraria a rotina de Dheyvisson: depois de sofrer uma fratura no escorregador, foi descoberto que ele também sofria de osteogênese imperfeita, popularmente conhecida como doença dos ;ossos de vidro;.

Desde então, toda atividade realizada por Dheyvisson precisou ser monitorada com cuidado, já que qualquer acidente pode levar a fraturas graves, cuja recuperação chega a demorar meses. Desde que foi diagnosticado com a enfermidade, a vida do garoto transformou-se numa peregrinação constante por consultórios médicos de diversos hospitais.

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[SAIBAMAIS]De três em três meses, ele precisa ser internado por dois dias para fazer tratamento com uma medicação fortíssima ; paminodrato de sódio ;, no Hospital Universitário de Brasília (HUB). Como não pode usar cadeira de rodas, para evitar a atrofiação dos músculos, ele faz o trajeto entre as clínicas no colo da mãe, que o carrega, seja para pegar ônibus, seja para ir da sala de casa ao quarto. Recentemente, Viviane descobriu que também tem doença dos ossos de vidro e que levantar peso tem causado sequelas na própria coluna.

A mãe, estudante de pedagogia, lembra como foi saber da condição do filho. ;No dia em que me falaram que ele era cego, eu não quis aceitar. Quando, finalmente, consegui superar a dor, eles me falaram da osteogênese. É muito difícil. Eu o levo de lá pra cá, de hospital em hospital, sozinha. Às vezes, dá vontade de sentar no meio-fio e desabar.; Ao saber da cegueira de Dheyvisson, Viviane passou a levá-lo, periodicamente, de Santa Vitória do Palmar para Porto Alegre, em busca de tratamento. Em 2009, foi orientada a se mudar para Brasília, onde encontraria melhores recursos médicos. Dois anos depois, foi descoberta a doença dos ossos de vidro, quando o menino quebrou o fêmur e as duas pernas em uma queda. Ele também apresenta microcefalia e osteopenia generalizada, que levam a fraturas recorrentes. Até confirmar o diagnóstico, foram sete e, desde que começou o tratamento, 16.

Viviane é separada, mas recebe ajuda do pai de Dheyvisson, que mora no Sul do país. Em que se pesem as dificuldades, faz todo o possível para dar uma vida normal para o filho. ;Desistir dos esforços necessários seria desistir dele. E isso eu jamais farei;, diz. De segunda a sexta-feira, a mãe acorda às 6h para levar o garoto ao Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais, na Asa Sul, onde ele estuda até as 12h30 e ela estagia. À tarde, o menino vai para a fisioterapia e a terapia ocupacional, duas vezes por semana, também na Asa Sul. Depois, os dois voltam para casa, onde se fazem companhia. Dheyvisson não esconde a alegria ao falar sobre o que gosta de fazer, enquanto mostra os brinquedos favoritos, como um pebolim de mesa. ;Minha matéria favorita é geografia. Quero viajar o mundo!”, empolga-se.

Esperança
Um dos motivos que inspiraram Dheyvisson a seguir carreira jornalística é que, desde pequeno, participa de programas televisivos, convidado a contar sua história. Foi em uma dessas ocasiões, quando era entrevistado no Noronha Show, da TV Brasília, que conheceu a executiva Rita Ballock. A moradora do Lago Norte fazia parte da mesa do júri do programa e se comoveu com a trajetória do menino. ;Quando o vi, senti que era uma oportunidade de ajudar os menos favorecidos. No dia seguinte, entrei em contato com Viviane;, relata.

A amizade que surgiria entre as duas mulheres, nascida do carinho sentido por Dheyvisson, traria uma nova esperança para o garoto. Ao ver o drama vivido por Viviane, obrigada a carregar o filho pela cidade, Rita decidiu juntar forças com conhecidos para lhes dar um carro. ;Entrei em contato com amigos pelo WhatsApp e telefone e consegui juntar 75% do valor necessário, guardado numa conta poupança. Tenho fé de que vamos atingir nosso objetivo;, afirma. Interessados ainda podem fazer doações (veja serviço). Viviane se emociona com a generosidade da amiga. ;Rita foi um anjo em nossas vidas, não tenho palavras para descrever. Um carro poderia mudar totalmente minha rotina e do meu filho;, diz.

Fonte: Corrreio Brasiliense

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